Os Sete Sacramentos da Igreja
Sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais a vida divina nos é dispensada.
Os sacramentos não são meros símbolos: são sinais eficazes. Isto significa que realizam aquilo que significam. Quando o sacerdote derrama água sobre uma criança e diz "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", a criança é verdadeiramente lavada do pecado original e tornada filha de Deus. O sacramento não apenas representa essa realidade — ele a opera.
São sete os sacramentos, todos instituídos por Cristo: Batismo, Confirmação (Crisma), Eucaristia, Penitência (Reconciliação), Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Tradicionalmente, agrupam-se em três conjuntos: sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Crisma, Eucaristia), sacramentos da cura (Reconciliação, Unção dos Enfermos) e sacramentos a serviço da comunhão (Ordem, Matrimônio).
1. Batismo
"Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). É o sacramento que nos faz cristãos, filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do céu.
Efeitos: perdão do pecado original e de todos os pecados pessoais (no caso de adultos), infusão da graça santificante, comunhão com a Santíssima Trindade, incorporação à Igreja, caráter indelével (por isso não se repete).
Matéria: água. Forma: as palavras "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Ministro: ordinariamente o sacerdote ou diácono; em caso de necessidade, qualquer pessoa (mesmo não batizada) que faça com a intenção da Igreja.
2. Confirmação (Crisma)
Aperfeiçoa a graça batismal. Pelo dom do Espírito Santo, o cristão é fortalecido para professar publicamente a fé e dar testemunho de Cristo. É o sacramento da "maioridade espiritual".
Efeitos: efusão plena do Espírito Santo com seus sete dons (sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade, temor de Deus), aumento da graça batismal, união mais forte com Cristo e a Igreja, força para a missão. Imprime caráter, por isso não se repete.
Matéria: óleo do crisma (consagrado pelo bispo na Missa Crismal da Quinta-feira Santa). Forma: "N., recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus". Ministro: ordinariamente o bispo.
3. Eucaristia
"Fonte e cume" de toda a vida cristã (CIC 1324). Cristo, sob as espécies do pão e do vinho, dá-se a Si mesmo como alimento de vida eterna. Não é símbolo, não é figura: é o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira e substancialmente presente.
Efeitos da comunhão: íntima união com Cristo, separação do pecado, perdão de pecados veniais, preservação de pecados graves futuros, unidade do Corpo Místico, compromisso com os pobres.
Disposições requeridas: estar em estado de graça (sem pecado mortal não confessado), respeitar o jejum eucarístico de uma hora antes da comunhão (água e remédios não quebram o jejum), ter intenção reta.
4. Reconciliação (Confissão, Penitência)
Sacramento da misericórdia. Pelos pecados cometidos após o Batismo, o cristão pode obter o perdão dos pecados, a reconciliação com Deus e a paz da consciência.
Quatro atos do penitente:
- Exame de consciência: rever a vida à luz dos mandamentos.
- Contrição: arrependimento sincero, com firme propósito de não pecar mais.
- Confissão: declarar todos os pecados graves ao sacerdote, em espécie e número.
- Satisfação: cumprir a penitência imposta e reparar o mal feito quando possível.
Forma da absolvição: "Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém."
Todo católico que cometeu pecado grave deve confessar-se antes de comungar. A Igreja prescreve também a confissão ao menos uma vez por ano. Mas a prática frequente (mensal ou quinzenal) é grande caminho de santidade.
5. Unção dos Enfermos
"Está alguém doente entre vós? Chame os presbíteros da Igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor" (Tg 5,14-15).
Para quem: fiéis em perigo grave de doença ou idade avançada. Pode ser repetida quando a doença se agrava ou em nova doença grave.
Efeitos: graça de fortalecimento, paz e coragem; perdão dos pecados se o doente não pôde confessar-se; restituição da saúde corporal se for da vontade de Deus; preparação para a passagem à vida eterna.
Não é o "sacramento da morte", como muitos pensam. É o sacramento da cura. Procure-o cedo, ao primeiro sinal de doença séria, não apenas na hora final.
6. Ordem
Sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o fim dos tempos. Tem três graus: episcopado, presbiterado e diaconato.
- Bispo: plenitude do sacramento da Ordem. Sucessor dos Apóstolos.
- Presbítero (sacerdote): colaborador do bispo, autorizado a celebrar a Eucaristia, absolver pecados, ungir enfermos, presidir matrimônios.
- Diácono: ordenado para o serviço; pode batizar, proclamar o Evangelho, pregar, presidir matrimônios e funerais.
Imprime caráter indelével: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 110,4).
7. Matrimônio
"O que Deus uniu, o homem não separe" (Mt 19,6). A aliança matrimonial, pela qual homem e mulher constituem entre si uma comunhão de toda a vida, foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento.
Propriedades essenciais: unidade (um homem e uma mulher) e indissolubilidade (até a morte). Fins: bem dos cônjuges, geração e educação dos filhos.
Ministros do sacramento: os próprios esposos. O sacerdote (ou diácono) é testemunha qualificada da Igreja e abençoa a união, mas quem confere o sacramento são os próprios noivos, dando-se um ao outro.
Requisitos para validade: consentimento livre, pleno e mútuo; capacidade para o matrimônio (não estar impedido); forma canônica (celebrar diante de sacerdote/diácono e duas testemunhas, salvo dispensa).
Oração pelos cônjuges
Senhor nosso Deus, fonte de todo amor, abençoai os esposos cristãos. Que aquilo que receberam um do outro como dom seja vivido como missão. Que tenham paciência nas dificuldades, fidelidade nas tentações, alegria nos filhos e perseverança até o fim. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Sacramentais
Distintos dos sacramentos, mas instituídos pela Igreja em analogia a eles. Não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos, mas pela oração da Igreja preparam para recebê-la e para cooperar com ela.
Exemplos: bênçãos (de pessoas, alimentos, objetos, lugares), exorcismos, água benta, terços, escapulários, medalhas, círios, etc. Não são amuletos: ajudam quando usados com fé e devoção.