A Comunhão dos Santos

A Igreja não é só dos vivos na terra. Inclui os santos do céu, que intercedem por nós, e as almas que se purificam, por quem rezamos.

Quando recitamos o Credo, professamos crer na "comunhão dos santos". Esta expressão tem significado profundo: a Igreja é uma só, mas se manifesta em três estados — Igreja militante (nós, peregrinos na terra), Igreja padecente (as almas do purgatório) e Igreja triunfante (os bem-aventurados no céu). Todos estão unidos em Cristo e podem ajudar-se mutuamente pela oração, pelos méritos e pela intercessão.

Esta página apresenta o sentido do culto aos santos e biografias breves de alguns que a Igreja propõe à nossa imitação e devoção.

Por que veneramos os santos?

Importante distinção: os católicos não adoram os santos. Adoração (culto de latria) é devida apenas a Deus. Aos santos prestamos veneração (culto de dulia) e à Virgem Maria uma veneração superior (hiperdulia) por sua dignidade única como Mãe de Deus.

Veneramos os santos por três razões principais:

  1. Eles refletem Cristo. Como afirmou São Paulo, "sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (1Cor 11,1). Honrar os santos é honrar a obra de Deus neles.
  2. Eles intercedem por nós. "A oração do justo tem grande poder" (Tg 5,16). Se um justo na terra pode interceder, quanto mais os que já estão diante de Deus.
  3. Eles são exemplos concretos. A santidade não é abstrata: tomou rosto em homens e mulheres reais, em todas as épocas, profissões e estados de vida.

Santos para conhecer e amar

São José — Padroeiro da Igreja Universal

Festa: 19 de março (São José Esposo) e 1 de maio (São José Operário).

Esposo da Virgem Maria, pai virginal de Jesus, "homem justo" (Mt 1,19). Os Evangelhos não registram nenhuma palavra sua, mas seus atos falam: obediência silenciosa, trabalho, proteção da Sagrada Família. Pio IX proclamou-o Padroeiro da Igreja Universal em 1870. É invocado especialmente como protetor dos trabalhadores, dos pais de família e dos moribundos.

São Francisco de Assis

Festa: 4 de outubro.

Italiano (1182-1226), filho de comerciante rico que abandonou tudo por amor a Cristo pobre. Fundador da Ordem dos Frades Menores. Pregou aos animais, recebeu os estigmas, escreveu o "Cântico das Criaturas". Reformou a Igreja não pela polêmica, mas pelo testemunho radical do Evangelho. Padroeiro dos ecologistas e da Itália.

Santo Antônio de Lisboa/Pádua

Festa: 13 de junho.

Português (1195-1231), franciscano, doutor da Igreja. Pregador extraordinário, conhecido por seus milagres. Padroeiro dos objetos perdidos, dos noivados, dos pobres. Sua devoção é muito difundida no mundo lusófono.

Santa Teresa de Ávila

Festa: 15 de outubro.

Espanhola (1515-1582), carmelita, mística, reformadora da Ordem do Carmelo. Doutora da Igreja (a primeira mulher, com Santa Catarina, a receber esse título). Suas obras ("Castelo Interior", "Caminho de Perfeição", autobiografia) são fundamentais para entender a oração mental e a vida mística.

São João da Cruz

Festa: 14 de dezembro.

Espanhol (1542-1591), carmelita, doutor da Igreja, místico, poeta. Companheiro de Santa Teresa na reforma do Carmelo. Sofreu prisão e maus-tratos. Sua doutrina sobre a "noite escura da alma" é uma das mais profundas da espiritualidade cristã. Obras: "Subida do Monte Carmelo", "Cântico Espiritual", "Chama de Amor Viva".

Santa Teresinha do Menino Jesus

Festa: 1 de outubro.

Francesa (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja. Morreu aos 24 anos, mas seu "pequeno caminho" da infância espiritual revolucionou a espiritualidade do século XX. Padroeira das missões. Obra principal: "História de uma Alma".

Santo Inácio de Loyola

Festa: 31 de julho.

Basco (1491-1556), soldado convertido, fundador da Companhia de Jesus. Seus "Exercícios Espirituais" são método de oração e discernimento usado até hoje no mundo todo. Sua espiritualidade marcou a Contra-Reforma e formou gerações de cristãos.

São Padre Pio de Pietrelcina

Festa: 23 de setembro.

Italiano (1887-1968), capuchinho, místico, confessor incansável. Recebeu os estigmas. Milhares de testemunhos de bilocação, leitura das almas e milagres. Fundou a "Casa de Alívio do Sofrimento". Confessava de 12 a 18 horas por dia. Canonizado por João Paulo II em 2002.

Santa Faustina Kowalska

Festa: 5 de outubro.

Polonesa (1905-1938), religiosa, mística, "apóstola da Divina Misericórdia". Recebeu de Cristo a missão de difundir a devoção à Divina Misericórdia, com a coroinha, a imagem de Jesus Misericordioso e a festa do segundo Domingo de Páscoa. Seu Diário é leitura fundamental.

São João Bosco

Festa: 31 de janeiro.

Italiano (1815-1888), sacerdote, fundador da Família Salesiana (Salesianos, Filhas de Maria Auxiliadora). Dedicou a vida à educação cristã dos jovens pobres, com o "Sistema Preventivo" baseado em razão, religião e amor. Padroeiro dos educadores.

Santa Maria Goretti

Festa: 6 de julho.

Italiana (1890-1902), morta aos 11 anos defendendo sua pureza. Perdoou o agressor antes de morrer. Modelo de jovens, padroeira da castidade e das vítimas de violência.

São João Paulo II

Festa: 22 de outubro.

Polonês (1920-2005), Papa de 1978 a 2005. Um dos mais longos pontificados da história. Viajou pelo mundo todo, contribuiu para a queda do comunismo, escreveu encíclicas fundamentais, instituiu a Festa da Divina Misericórdia e os Mistérios Luminosos do Rosário. Canonizado em 2014.

Santa Maria, Mãe de Deus — A Toda-Santa

Mais que qualquer outro santo, Maria ocupa lugar único. Concebida sem pecado original (Imaculada Conceição), virgem antes, durante e depois do parto, Mãe de Deus, assunta ao céu em corpo e alma, Rainha do Céu e da Terra, Mãe da Igreja. A devoção mariana — Rosário, escapulário, novenas, peregrinações — é parte integrante da espiritualidade católica.

As almas do Purgatório

Faz parte da nossa fé que muitas pessoas, ao morrer, ainda não estão totalmente prontas para a visão beatífica de Deus, embora morram em estado de graça. Passam então por uma purificação chamada Purgatório. Não é "inferno temporário": é estado de salvação certa, em que a alma se purifica das últimas consequências do pecado.

Por elas podemos rezar, oferecer Missas e ganhar indulgências. A oração tradicional é:

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, e a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém.

Especialmente no mês de novembro (Dia de Finados, 2 de novembro), a Igreja convida a recordar e interceder pelos falecidos. Visitar cemitérios, rezar pelos antepassados e mandar celebrar Missas por eles são obras de misericórdia espiritual de grande valor.

A comunhão dos santos é dom maravilhoso: ninguém caminha sozinho. Os santos no céu nos amparam; nós, na terra, ajudamos os do purgatório. Tudo em Cristo, cabeça do Corpo único da Igreja.

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